• Silvio Soledade

Gestão criativa é gestão lucrativa

Quais os valores que se entregam para a sociedade, o mercado e acionistas?


Longe do glamour, dos holofotes dos prêmios e das grandes ideias que acontecem dentro de uma agência de comunicação e publicidade, a área financeira é, de longe, a que menos brilha. No entanto, isso não minimiza sua importância. A realidade é que quando ninguém lembra de sua existência significa que seu papel está sendo muito bem desempenhado.


De uns tempos para cá, reparo que nas agências de comunicação em geral – sejam elas de propaganda, eventos, relações públicas e produtoras de audiovisual – esta percepção vem se alterando. As empresas do setor, perante uma nova realidade, buscam cada vez mais a rentabilidade para manter seus negócios vivos.


A operação financeira é igual em qualquer empresa de qualquer segmento. Entretanto, nas empresas do mercado criativo há algumas peculiaridades como rotinas diferenciadas, regulamentações e órgãos muito específicos, volatilidade de recursos e uma relação comercial efêmera que pode fazer com que tudo mude no próximo mês.


Soma-se a isto o fato de que seus principais gestores são “de humanas”, como costumam brincar, e utilizam este argumento para fugir das obrigações desenhadas pela gestão administrativa e financeira. O olhar sistêmico e processual é parte da solução, mas não é a essência da gestão. Há empresas que investem um bom dinheiro no desenvolvimento ou na compra de ferramentas que facilitam o dia a dia da gestão das empresas oferecendo um número sem fim de relatórios e métricas que, na prática, mais dificultam do que ajudam na tomada de decisão.


O principal está em entender o funcionamento das engrenagens entre as diversas áreas das agências e produtoras, compreender a fundo a atividade, as pessoas que as executam, a relação com clientes, fornecedores, veículos, parceiros e entidades do setor. Saber a respeito das regras legais e os seus limites éticos. Identificar talentos, não só das áreas de criação, mas aqueles que contribuem para os resultados dos seus clientes e da agência. Dialogar com as lideranças com a finalidade de alinhar os seus objetivos estratégicos e táticos, tentando identificar oportunidades e ameaças que podem tirar a sustentação financeira do projeto empresarial.


As áreas de gestão administrativa e financeira não passam tão somente pela gestão de caixa, do contas a pagar e receber, do processo de emissão de notas fiscais, da folha de pagamento ou do planejamento orçamentário. Esses são apenas alguns entregáveis. Há muito mais a fazer na busca pela rentabilidade, e principalmente, pela perenidade do negócio. É necessário olhar para o posicionamento estratégico, perceber de onde e como vêm os clientes e o que faz eles permanecerem na agência.


Como fazer para crescer, oferecer novas formas de trabalhar, inovar, investir e conquistar mais clientes? Qual a elasticidade da empresa? Em que momento trazer mais clientes pode não ser mais um bom negócio? Quanto a operação onera a capacidade de gerar negócios? Por que perdemos clientes? Por que ganhamos clientes? E qual o valor, ou quais os valores, que se entregam para a sociedade, para o mercado e acionistas?


Uma agência de comunicação é do tamanho dos seus projetos e dos seus clientes. Não importa se tem dois, 20 ou 200 colaboradores. Estas questões devem ser discutidas independentemente do porte ou do tempo de atuação. Daí a importância de ter profissionais nas áreas de gestão administrativa e financeira muito além da calculadora 12C ou dos sistemas ERPs que produzem informações e fazem cálculos mirabolantes.


Quando o gestor administrativo financeiro passar a ser realmente percebido, ele poderá, de fato, contribuir com o sucesso do projeto empresarial. E não só quando há algo errado, mas principalmente com intuito de apontar caminhos e estratégias para tornar o negócio muito mais atrativo. Atração esta despertada em seus sócios, colaboradores, parceiros, na concorrência e, principalmente, nos clientes e não clientes.


Por isso que já é hora de reconhecermos que, numa agência de propaganda ou produtora de audiovisual, as áreas de gestão administrativa e financeira devem também receber os holofotes da atenção, dada importância de sua participação no processo de construir cada vez mais empresas duradouras, consistentes e lucrativas.


Por Silvio Soledade


Conteúdo publicado originalmente em meioemensagem.com.br

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